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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Neblina

Eu podia ver o erro
e com ele o desespero
por não perceber mais cedo a mim

talvez se o tempo fosse inverso
e para trás fosse o progresso
faria sentido a mim
e nesse sentido
eu entenderia,que seria preciso
mais uns dias para trás
para que fosse válido para ti

com um gesto
com um ato
tudo já escrito manchado por água
das tempestades em torno de ti
em mim não há nada a romper ,senão a escápula
e já não há escape lá ,não para mim

mancho as paredes,abstratas
escrevendo grandes e se?
mas as paredes são altas
e a cada rajada
o vento me despeja
para baixo

e percebo o quanto é inválido
repetir para mim
o quanto eu falho
em ser feliz

mas vi
juro que vi
em ti algo
uma passagem,um retrato
que me fez sentir ,assim
algo meio não bizarro
não era algo,era um estado
inquietante,vermelho e austero
era como um trem passando
e deixando a sua brisa
eu corri para segui-la
não sou rápida como o trem
e acabei ficando além
para trás da neblina

só lembrando do tal trem
do frescor da sua brisa
por entre o chão de britas
quentes como fósforo riscado
eu com os pés queimados
já não mais sentia
nada que não fosse o ardor do chão
e a ilusão da neblina

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