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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Neblina

Eu podia ver o erro
e com ele o desespero
por não perceber mais cedo a mim

talvez se o tempo fosse inverso
e para trás fosse o progresso
faria sentido a mim
e nesse sentido
eu entenderia,que seria preciso
mais uns dias para trás
para que fosse válido para ti

com um gesto
com um ato
tudo já escrito manchado por água
das tempestades em torno de ti
em mim não há nada a romper ,senão a escápula
e já não há escape lá ,não para mim

mancho as paredes,abstratas
escrevendo grandes e se?
mas as paredes são altas
e a cada rajada
o vento me despeja
para baixo

e percebo o quanto é inválido
repetir para mim
o quanto eu falho
em ser feliz

mas vi
juro que vi
em ti algo
uma passagem,um retrato
que me fez sentir ,assim
algo meio não bizarro
não era algo,era um estado
inquietante,vermelho e austero
era como um trem passando
e deixando a sua brisa
eu corri para segui-la
não sou rápida como o trem
e acabei ficando além
para trás da neblina

só lembrando do tal trem
do frescor da sua brisa
por entre o chão de britas
quentes como fósforo riscado
eu com os pés queimados
já não mais sentia
nada que não fosse o ardor do chão
e a ilusão da neblina

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sobre tudo que é livre

sobretudo,oque é livre?
se for livre ,me habite
sem medo das estalactites deixadas
por essas rondas milenares
no entalhe do meu ser

se é livre
ou quer ser livre
seja belo,seja firme
ou nada seja,então
se for livre medite
deixe ou não deixe
tudo em suas mãos

pois ser livre é mais profundo
é mais imenso
é mais intenso
do que pensam ser
ser livre não é fugir
talvez seja ficar e sentir

pois,quero gritar
cada fala,cada gesto
que em mim ficaram gravados
são apenas recados,para algo que passou
e nada disso volta
se é disso que se faz a história
perdidos em memórias
hemos de ficar

e por toda essa vida
enferma e efêmera
hei de estar livre
onde for o meu lugar

Onomatopéia

como o estalo dos meus ossos
os pensamentos expostos
soam pela sala
por romper sua prisão
sua cápsula
uma voz os esmaga

quem dera eu
pô-los em pastas
categorizadas,estáticas
mas a mente é ávida
e eles são mais vivos
eles correm pela sala
e eu,pelo convívio
fico no meio
entre o apelo e o sossego
entre a calma e o medo

em minha cama ja não há espaço
para mim,já não há espaço
pois se deito eles me seguem
e eu,sufocada por tantos
em consciência
solto minhas ultimas palavras noturnas

Minha mente tem medo
mas meu coração está livre

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

o Conselho

Pelas peles entre os dedos
que me impedem de esticar
sigo o meu próprio conselho
de jamais mutar

para que nada mude
para que não seja ainda pior
para que eu não perca a essência
da infância nos meus nós

entre tando medo
sigo meu conselho
em um mundo assim tão só
e ao mesmo tempo mudo tudo
mudo planos
mudo de um jeito tão mudo
para me encaixar no não mudar

que acabarei ficando muda
muda que não canta
muda planta
nesse muda muda
de tanto não mudar

Ode ao meu pesar

O quanto pesa essa moeda
que a escolha ditará?
o quanto pesa o caminho?
o andar é um pesar

Arde no teu rosto
o frio exposto
do que deu errado
arte do teu gosto
a mágoa guardas do teu lado

Tentei me encaixar no lugar da mágoa
ela me convenceu a ir
então te falo
foi com um pesar,não estou a rir

Mas inda que pese esta chaga
gosto da voz da tua partida
mais do que gostei da chegada
e por toda a odisseia dos nossos espíritos
(que junto estiveram)
sinto um temor ,quase séssil
de outra chegada e outra partida
amiúde em minha vida
é como ela vem regida

A pavimentação do ser

Pensei em atirar-me,
Joguei-me
Mas apesar de machucar-me
Apoiei-me nesse chão pútrido
Tão espezinhado, pisado quanto eu
Nesse chão que é o mesmo a me amparar
Sustentar-me e segurar-me
É lógico que – com toda minha mania
Eu, impura, não seria apoiada
Por algo virgem
Chão – podre
Estuprado
Amassado
Torpe
Violado
Ah! Esparramo-me nele
Então, para ele, perco todo meu calor
Tomo dimensões não mais medidas
Através de bustos
Glúteos, altura
Ou qualquer outra fração que vier desse corpo
Inerme às traças e ao tempo
Faço-me, então, assoalho
Sou área
Metros quadrados
Sou maior
Eu, calcada
Torpe
Violada
Pronta para amparar qualquer queda
Absorver qualquer calor
Fingir que já não sinto
Qualquer tipo de dor
Por fim, reduzo-me
Ou me expando
A um tão extenso ou curto

Devaneio

A balança virou pó, tornou-se o verdadeiro ar

A cal pútrida já não me cobria mais
E da brecha feita por uma revolução
Em meu peito
A cal fez-se pó
Eu me fiz vento
E em uma rajada, transformei-me
E como não mudo só,
Tudo, tudo em minha volta
Também fez-se pó
- E que me venham as sensações
E outros ares, feito eu!
E percebi, em meio a minha própria reconstrução
Que dentre todos esses tempos
Nunca me fiz tão bem
A alegria fez-se infinita
O infinito não foi, então, suficiente
Juntei-me ao infinito de alguém


O Erro

Errei
Desculpe,errei
Por acreditar que errar não era erro
por crer que era inerente
a nós,humanos
eu,insano
concordei com o meu erro

E assim tirei
a auréola que postes em mim
errei eu,pelo erro?
ou tu erraste por crer que não erro?

mas vês,sou pele e carne
sou palpável e apalpável
e,segredo,mas gosto do meu erro
gosto de ser eu,erro
tão eu erro
que eurro