Pensei em atirar-me,
Joguei-me
Mas apesar de machucar-me
Apoiei-me nesse chão pútrido
Tão espezinhado, pisado quanto eu
Nesse chão que é o mesmo a me amparar
Sustentar-me e segurar-me
É lógico que – com toda minha mania
Eu, impura, não seria apoiada
Por algo virgem
Chão – podre
Estuprado
Amassado
Torpe
Violado
Ah! Esparramo-me nele
Então, para ele, perco todo meu calor
Tomo dimensões não mais medidas
Através de bustos
Glúteos, altura
Ou qualquer outra fração que vier desse corpo
Inerme às traças e ao tempo
Faço-me, então, assoalho
Sou área
Metros quadrados
Sou maior
Eu, calcada
Torpe
Violada
Pronta para amparar qualquer queda
Absorver qualquer calor
Fingir que já não sinto
Qualquer tipo de dor
Por fim, reduzo-me
Ou me expando
A um tão extenso ou curto
Devaneio
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